O restaurante era o mais novo de Lisboa — um espaço de Michelin que a empresa escolhera para impressionar os investidores americanos. Marta sentara-se na ponta da mesa, frente a frente com o CEO, um homem de sessenta anos que falava demasiado alto sobre os seus iates.
Ao lado dela, estava o advogado deles. James. Ou Jamie. Ela não conseguia recordar, apesar de terem sido apresentados há apenas vinte minutos. O que conseguia recordar era a forma como ele a olhara — não com a avaliação lasciva que estava habituada, mas com uma curiosidade inteligente, quase científica.
E agora, sob a toalha de linho branco, algo roçava a sua canela.
Marta não se moveu. Continuou a cortar o seu linguado, a acenar com a cabeça aos comentários do CEO sobre as taxas de juro. Mas a sua atenção estava toda concentrada na sensação — um pé, descalço, subindo lentamente pela sua perna, por baixo da calça.
Ela não usava meias. Apenas umas ligas de renda, presas a uma cinta-liga que ninguém naquela mesa podia ver.
O pé encontrou a borda da liga e parou. Um dedo — o hálux, ela imaginou — deslizou por baixo da renda, tocando a pele nua. Marta engoliu um gole de água, engasgou-se ligeiramente.
“Está tudo bem?” perguntou James, a voz perfeitamente calma, os olhos fixos nos dela com inocência teatral.
“Perfeitamente,” disse ela, e a sua voz saiu mais baixa do que pretendia. “Apenas… o peixe é picante.”
O pé subiu mais. Agora estava na sua coxa, a parte interna, onde a pele era mais sensível. Marta sentiu-se a humedecer — um reação involuntária, ridícula, perigosa. Eles estavam numa mesa de oito pessoas, a discutir fusões e aquisições, e ela estava a ficar excitada.
Ela deveria afastar o pé. Deveria levantar-se, ir à casa de banho, recompor-se. Em vez disso, abriu ligeiramente as pernas.
O sorriso dele foi mínimo — apenas um canto da boca a levantar-se — mas ela viu. E quando o pé encontrou o centro dela, a pressão firme através da seda fina das suas cuecas, ela teve de agarrar a toalha para não gemer.
O CEO estava a falar sobre a China agora, algo sobre cadeias de abastecimento. Marta acenou, concordou, fez uma pergunta inteligente — tudo automaticamente, enquanto o pé dele movia-se em círculos lentos, insistentes, encontrando o ponto exato com uma precisão que a deixava sem fôlego.
“E tu, Marta?” perguntou o CEO. “Qual é a tua opinião sobre a expansão asiática?”
Ela abriu a boca, mas nada saiu. O pé pressionou mais forte, e ela sentiu a onda a aproximar-se — impossível, ridícula, mas real.
“Eu…” Ela pigarreou. “Penso que devemos… devemos considerar o timing. A… pressão do mercado.”
“Timing é tudo,” concordou James, e havia um duplo sentido na sua voz que só ela podia detectar. “E saber quando aplicar pressão.”
O orgasmo veio em ondas silenciosas, devastadoras. Marta agarrou a faca e o garfo até que os nós dos dedos ficaram brancos, manteve o sorriso congelado, acenou com a cabeça como se concordasse com algo que o CEO dissera. Por dentro, estava a derreter, a desmoronar-se, a reconstruir-se.
Quando a onda passou, ela olhou para James. Ele já retirara o pé, já estava a limpar a boca com o guardanapo, já parecia o advogado conservador de sempre. Mas havia um brilho nos olhos, uma promessa.
Ela levantou-se, desculpando-se. “Vou à casa de banho. Já volto.”
Ele esperou trinta segundos — ela contou, olhando para o relógio no espelho da casa de banho — antes de aparecer atrás dela. Não havia ninguém no corredor. Ele empurrou-a para dentro da casa de banho dos deficientes, trancou a porta, e beijou-a com a fome que ela sentia.
“Não podes…” disse ela, entre beijos. “A reunião…”
“Foda-se a reunião,” disse ele, e as mãos estavam já sob a sua saia, a encontrarem a humidade que o pé dele criara. “Quero-te. Agora.”
Ela queria protestar, mas os dedos dele eram hábeis, e ela ainda estava sensível do orgasmo anterior. Quando ele a virou de costas, debruçada sobre a pia de mármore, ela não resistiu. Ouviram-se passos no corredor, risos, o som distante do restaurante. E ele entrou nela numa única estocada, preenchendo-a completamente.
“Silêncio,” sussurrou ele no seu ouvido, enquanto movia os quadris num ritmo furioso, silencioso. “Ou descobrem o que és. O que gostas.”
As mesmas palavras do outro, na biblioteca. Marta sorriu no espelho, encontrando os olhos dele por cima do seu ombro. E deixou-o levar-a outra vez, mais rápido desta vez, mais urgente, até que ambos estremeceram, ofegantes, rindo como adolescentes apanhados.
Quando saíram, separados por dois minutos, a reunião continuava. O CEO ainda falava da China. Ninguém suspeitara de nada.
James passou por ela, sentando-se, e deixou cair um cartão no seu colo. Apenas um número de telefone, escrito à mão.
“Para discutirmos o timing,” disse ele, baixinho, e ela riu — um som genuíno, livre, que fez o CEO parar e olhar para ela com surpresa agradável.
“Desculpem,” disse Marta, guardando o cartão na carteira. “Lembrei-me de uma piada.”
Uma piada, pensou ela. E uma promessa.